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25 de dezembro de 2014
Olá galera, tudo bem?
O Natal chegou e eu passei boa parte do dia pensando: o que eu vou postar. Eis que no meu aleatório começa a tocar “Last Christmas” do Wham e foi saindo o conto abaixo, vocês vão notar as referências à música ao lerem. 
Um bom Natal e uma ótima leitura!
Ah, se o
arrependimento matasse, com toda a certeza Charlotte já estaria morta abaixo de
toda essa neve branca que está cobrindo Nova York. Passou boa parte da sua vida
em Los Angeles e agora estava no Terminal C do Aeroporto Internacional de Newark
em Nova York, brigando com uma atendente loira, pedindo para que seu voo já
atrasado não fosse cancelado.
– Mas eu
tenho que ir para Los Angeles moça! – Charlotte falou – Falei com minha mãe que
estaria lá assim que pudesse.

Infelizmente, acredito que agora não vai ser possível. – A atendente sorriu em
resposta – A nevasca está muito forte para qualquer avião sair. Muito
provavelmente, os voos ficarão atrasados até segunda ordem ou até a nevasca
parar.
– Mas já
eram para o voo ter saído faz uma hora!
A atendente
começou a olhar em seu computador e Charlotte bufou, desistindo de brigar com
ela. Afinal, isso não resolveria nada.
Andou até a
cadeira que estavam suas malas e sentou-se ao lado, de frente ao painel. Pegou
seu telefone celular e discou o número de sua mãe.
– Oi filha!
– Ela ouviu o doce som da voz de Carmelia, apesar da interferência que a
ligação tinha por causa da nevasca – Quando você vai chegar?
– Não sei
mãe. – Ela respondeu, desanimada – Talvez eu não saia daqui hoje. Tem uma
nevasca aqui em Nova York, sem previsão para os voos atrasados decolarem.
– Isso é
sério filha? – Ela respondeu, preocupada – Venha quando a nevasca parar, não se
preocupe se não chegar aqui a tempo.
– Tudo bem
mãe. – Respondeu, sem muito ânimo – Vou ficar aqui no aeroporto e quando eu
tiver notícias te aviso.
Desligou o
celular e encarou o painel com os números e destinos dos voos. Uma hora
atrasada por conta da nevasca, sem previsão de volta. Muito provavelmente iria
passar o Natal no aeroporto também, enquanto sua família come as deliciosas
sobremesas que sua mãe prepara todos os anos.
Sentiu um
nó no estômago e concluiu que era fome. Claro, agora é uma hora da tarde e sua
última foram dois pacotes de Lays às
dez da manhã, não comendo mais nada desde então.
Pegou a sua
mala e procurou uma lanchonete qualquer no aeroporto. Por mais que fosse uma
hora da tarde, estava na esperança de que algumas lojas ainda funcionassem por
causa da quantidade de pessoas no aeroporto.
Entrou na
Starbucks e sentou-se em uma mesa qualquer, enquanto uma mulher alta, negra e
com cabelos cacheados aproximava-se da mesa.
Adorava a
decoração da loja naquele aeroporto. Não era a primeira vez que passava na
Starbucks daquele aeroporto, passava lá sempre que iria viajar para algum lugar.
As paredes eram brancas com partes em madeira, assim como o bar, as mesas, as
cadeiras e os bancos.
– Deseja
alguma coisa?
– Que a
nevasca pare. – Charlotte falou com voz esperançosa – Mas enquanto isso não
acontece, eu aceito um  sanduíche BLT de
salada de frango com café moca.
A moça
anotou e foi para o balcão, preparar o pedido. Charlotte conferiu as horas. Uma
hora e vinte minutos. Olhou ao redor daquela loja. Havia cerca de três casais e
quatro crianças, fazendo com que a loja não ficasse totalmente cheia, algo que
Charlotte não gostava.
Assim que
seu pedido chegou, deu um gole em seu café e olhou de relance para a porta,
dando uma leve tossida em surpresa.
Fazia um
ano que não via o homem que estava à porta, mas ela o conhecia muito bem.
Os cabelos
loiros dele estavam mais compridos do que da última vez. Estava usando uma
blusa preta com gola V – a blusa que ela
havia dado a ele – por baixo do casaco, uma calça jeans e uma bota preta.
Charlotte
tentou manter-se indiferente, mas a presença dele não era algo indiferente. Um ano que não o via e ele
continuava o mesmo, algo que ela não poderia dizer sobre si mesma. Havia
pintado os longos cabelos loiros de preto e havia cortado na altura dos ombros.
Então ele a
observou, no exato momento que ela deu uma mordida em seu sanduíche, desviando
o olhar.

Charlotte? – Ele perguntou.
Aquela voz.
Aquela maldita voz que a fez derreter
no início do ano passado. Aquela voz que ela evitou durante anos.
– Brian? –
Ela devolveu a pergunta – Quanto tempo!
Merda, ela pensou. Por que não inventou
qualquer outro nome para fugir daquela situação constrangedora?
– Pois é! –
Ele falou – Você me parece diferente.
– Eu pintei
e cortei o cabelo. – Respondeu suavemente – Estava precisando mudar um pouco.
– Combinou
com você. – Ele sorriu – Ficou igual à Branca de Neve. Ano passado você era a
Rapunzel.
Ano passado, o assunto proibido. Natal passado, o assunto que ela evitou
durante o ano. E, pelo visto, voltou para assombrá-la esse ano.
– Pois é. –
Sorri – E o que você está fazendo da vida?
– Estou
começando o meu mestrado em Direito. – Ele sorriu – Posso me sentar?
– Claro.
Puxou a
cadeira que estava à frente de Charlotte e sentou-se.
– E você,
está fazendo o quê? – Perguntou para a morena.
– Estou
indo viajar para passar as festas com meus pais. – Sorriu – Isso se a nevasca
parar e meu voo atrasado sair. E você?
– Estou
esperando Rose.
Charlotte
tomou um gole do café para não soltar um palavrão. Um ano depois e ele ainda
estava com ela. Ótimo, ela pensou, eles se merecem.
– Que
legal. – Falou – Vocês estão juntos faz um tempo, não é?
– Sim. –
Ele respondeu – Desde janeiro. Mas a nossa relação está meio abalada… Acho
que vamos terminar. Ela não é a mulher certa para mim.
Deu a
última mordida em seu sanduíche, desta vez para evitar um comentário irônico.
“Não é a mulher certa para mim”. Ouvir aquilo fez ela ter vontade de rir.
Afinal, ele nunca foi um homem que se prende à somente uma mulher. Charlotte havia provado isso na pele.
Atenção passageiros do voo 0975 com o
destino à Los Angeles
. – Uma voz falou e Charlotte prestou atenção no que
falava – O voo partirá em uma hora.
– É meu
voo. – Falou, sorrindo e se levantando – Desculpe-me te deixar aqui, mas eu
tenho que ir.
– Foi muito
bom ver você, Charlotte. – Ele levantou-se e a abraçou, falando em seu ouvido –
Por favor, me ligue. Gostaria de voltar aos velhos tempos.
Charlotte
soltou-se do abraço e foi pagar a conta. Tirou dez dólares do seu bolso e
entregou à moça do caixa.
– Fique com
o troco. – Ela falou – Feliz Natal.
Enquanto
caminhava com suas malas olhando para baixo e dando passos firmes, lembrava-se
do passado e das palavras de Brian naquele exato momento. Passou um ano
tentando esquecê-lo e ele voltava… Querendo voltar aos velhos tempos? Depois
de traí-la? Com a atual namorada?
Chegou até
a sala de embarque, mostrando os papeis do voo. Parte dela sentia muita falta
dele, muita. Mas a outra parte queria se livrar dele e de tudo o que ele fez
com que ela sentisse. De um lado havia toda a dor, todas as lágrimas, todo o
dinheiro gasto ligando para suas amigas noite após noite… E do outro lado
haviam as brigas que acabavam em beijos e os abraços intermináveis.
Entrou no
avião, assento J-2 e olhou as horas. Duas horas e quatorze minutos. O fundo de
seu celular era uma foto de suas resoluções de ano novo.
Abriu a
foto em tamanho maior e leu todas elas, quando uma ficou praticamente piscando
com luzes de neon em seus olhos.
Ela já
sabia qual decisão tomar.
Ligou para
o número de Brian rapidamente e ele atendeu no segundo toque.
– Você toma
decisões de forma rápida. – Ele falou – E então?
– A
resposta é não. – Ela falou – No último natal eu falei que te amava e o que eu
ganhei de presente? Você beijando Rose em minha cama. Dessa vez não vai ser
como da última. Feliz Natal Brian.
Desligou.
Não queria ouvir as desculpas e justificativas de Brian. Desligou o aparelho
telefônico e jogou na bolsa.
A viagem
seria longa, mas quem se importa? Estaria pronta para a próxima.
E, dessa
vez, não só a próxima viagem. 
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Juki

Graduanda em letras e canceriana de 22 anos na identidade, mesmo com cara de 17. Apaixonada por games, música e literatura, viciada em animes e mangás e louca por chocolate.

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