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6 de Março de 2015
Enviei o e-mail para o meu diagramador e fechei o meu notebook, colocando-o em minha bolsa. Olhei naquela cafeteria de bairro se havia alguma coisa fora do normal para que eu mandasse uma mensagem para o pessoal, mas não havia nada. Só a decoração que imitava cafeterias dos anos 50, motivo pelo qual eu amava aquele lugar.
– O seu café está pronto senhorita. – A mulher mais velha, com pele negra e cabelos grisalhos sorriu para mim – Você gostaria de mais alguma coisa para acompanhar?
– Um pão de queijo, por favor.
Que minha dieta se exploda. O dia merecia um pão de queijo bem caprichado. Só não peço recheado com bacon porque, infelizmente, a combinação de duas criações dos deuses não ficou tão boa quanto eu pensei.
Peguei o café e tomei um gole. A bebida entrou queimando em minha garganta e eu senti até meu sangue ficar mais quente. 
– Você está mais feliz hoje. – A moça reparou enquanto colocava o pão de queijo perto de onde eu estava sentada – Como que foi a viagem?
– Foi bacana. – Falei – Eu não mudaria nada naquela viagem.
E realmente não mudaria nada. Foi bom passar aquele mês fora e tudo mais, mas, de vez em quando, é bom voltar, é bom ir para casa e falar: aqui é um bom lugar. Mas trocaria meu amado Brasil para morar na Inglaterra.
– Você realmente parece muito animada. – Ela sorriu – Que bom que aproveitou a viagem.
Enquanto ela retornava a seus afazeres, fui comendo o pão de queijo, lembrando-me da viagem… Ou melhor, os motivos que me fizeram viajar.
Era dia doze de janeiro de 2015. Eu levantei da minha cama tranquilamente e me olhei no espelho. Meus cabelos castanhos estavam presos em um coque, enquanto minha cara amassada entregava o quanto eu havia dormido naquela noite. 
Caminhei com passos lentos até o banheiro e tomei o meu banho com calma e suavidade, lavando também os meus cabelos. Era uma segunda-feira, o dia que eu sempre escolho para lavar o meu cabelo.
Saí do banho com um roupão vermelho para me cobrir enquanto escolhia qual blusa eu iria usar. Ridículo, claro. Mas eu estava escolhendo a roupa porque era o meu aniversário de namoro e eu estava na expectativa de um pedido de noivado. Afinal, cinco anos de namoro têm que ter algum fruto, correto?
Depois de muito pensar entre a blusa vermelha ou a manchada, optei pela vermelha. Liguei o secador na tomada e fui pegar cereal para comer, já que iria secar o meu cabelo com secador, algo que demorava pouco tempo, mas eu iria gastar o restante do tempo no pouco trânsito da minha casa no Coração Eucarístico até o Padre Eustáquio, região que fica a empresa a qual trabalho.
Sim, a distância é pouca, mas mesmo assim eu não arrisco ir de ônibus, já que eu fui assaltada em um ônibus no mês passado. Andar com o carro não diminui as chances de ser assaltada, mas se eu andar com os vidros fechados e com o ar condicionado ligado, já que está fazendo muito calor em janeiro, o risco de alguém me assaltar é bem menor.
Olhei para a tela do celular e havia uma nova notificação no Whats App, pensando que era minha amiga, acabei ignorando a situação.
Primeiro erro que eu cometi naquele dia.
Levantei-me da bancada da cafeteria e caminhei em direção ao caixa com passos lentos, porém certeiros.
– Eu pedi um café e um pão de queijo. – Sorri – Quanto que foi?
– Cinco reais, senhorita. – A moça falou. Ela tinha cabelos curtos e azuis, algo que eu nunca teria coragem de fazer. Sua aparência era jovem, o que me fez concluir que ela trabalhava para pagar alguma faculdade ou para se sustentar.
Retirei cinco reais da minha bolsa e entreguei para ela.
– Obrigada. – Ela respondeu – Volte sempre.
Sorri e caminhei em direção ao meu carro. 
Terminei de secar o meu cabelo e peguei as chaves do meu carro e minha bolsa. Saí de meu apartamento e tranquei a porta, como sempre faço. Caso Eustáquio resolva aparecer em meu apartamento, ele vai ter que me pedir antes, já que eu não confiei senha de nada ou minha chave a ele.
Entrei em meu carro, ligando o rádio na mesma hora e comecei a ouvir “Bang Bang”, da Jessie J. Enquanto caminhava para o meu serviço. Graças a Deus e ao feriado, o trânsito estava praticamente nulo, o que eu gostava muito e desejava todos os dias naquela linda cidade cujo trânsito é uma merda na maior parte das vezes.
Parei no sinal vermelho e acendi a tela do meu celular para ver a mensagem que suspeitava ser de Caroline, mas era de um número desconhecido. Esperei até chegar ao meu local de serviço para ver a mensagem. Assim que o sinal abriu, comecei a cantar a música conforme a letra, tentando não começar a dançar a música. 
Estacionei o meu carro no estacionamento próprio para funcionários e saí. A recepcionista ainda não havia chegado e eu conferi o meu horário na máquina do ponto eletrônico. Oito horas. Coloquei o meu dedo e minha chegada foi computada. Retirei o comprovante e peguei o elevador, indo até o quarto andar, o meu andar.
– Segurem o elevador! – Ouvi alguém gritar e coloquei a mão, impedindo que ele se feche. 
Meu chefe entrou no elevador.
– Bom dia Lorena. – Ele falou – Como foi o fim de semana?
O senhor Pires era um homem mais velho, chegava a ter quase cinquenta anos, mas todos falavam que ele tinha menos idade. Hoje ele estava usando um terno preto azulado com uma blusa social azul marinha por baixo. Sua pele branca estava bronzeada, o que me fez concluir que ele estava passando um tempo na praia.
– Foi ótimo. – Respondi enquanto o elevador se fechava – E o seu, como que foi?
– Saí com Karen. – Ele sorriu – Viajamos para o Caribe e passamos o fim de semana lá. É uma boa cidade, você podia ir para lá um dia desses.
– Sabe que eu sempre quis sair do Brasil, não é?
– Sei sim, por isso estou te indicando o Caribe. – Ele falou – Mas como você é festeira, pode preferir Ibiza ou Miami.
Ri com aquilo.
– Na verdade, eu prefiro a Europa.
– Recomendo a França.
Tomas Pires havia viajado para a maior parte do mundo, o que era um fato. Afinal, ele era o redator chefe da seção de Esportes, ou seja, era algo que rendia mais dinheiro só por ter o nome de “chefe”.
Sorri involuntariamente dentro do carro ao lembrar daquilo. Tomas Pires era uma peça e, com toda certeza, ainda é. Sempre que havia uma oportunidade ele viajava com a esposa, mesmo após trinta anos de casamento o amor dos dois parece que nunca acabou e isso era muito inspirador.
Recebi uma ligação e sorri ao ver o visor. Bruno, o marido de Caroline.
– Olá Bruno. – Falei – Posso ajuda-lo com alguma coisa?
– Preciso saber de uma coisa. – Ele falou – Qual é o seu programa esse fim de semana?
– Não tenho nenhum programa, por quê?
– A nossa linda Miranda vai fazer um ano. – Ele falou – E, como você é madrinha dela, eu e Caroline achamos que seria bacana se você aparecesse aqui.
Sorri com aquilo. 
– Conte comigo. – Falei – Eu não gastei todo o meu dinheiro na França, então consigo dar uma parada aí em Curitiba esse final de semana.
– Que bom que você topou. – Ele sorriu – Você pode ficar em nosso apartamento, se quiser. Conseguimos mobiliar o outro quarto de visitas. 
– Tudo bem. – Sorri – Estarei aí esse sábado.
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Juki

Graduanda em letras e canceriana de 22 anos na identidade, mesmo com cara de 17. Apaixonada por games, música e literatura, viciada em animes e mangás e louca por chocolate.

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  1. Lory Caldas

    7 de Março de 2015

    Você escreve muito bem!
    Ansiosa pela continuação.

  2. Mila Cris

    9 de Março de 2015

    Juliana, adoraria que ela fizesse uma maluquice como madrinha!Seria divertido!Adorei Bjs e me chame para ler mais!

    • Juliana Piquerotti

      13 de Março de 2015

      Obrigada pela sugestão!
      Ainda vai ter muuuuita história até ela chegar em Curitiba, então até lá vão acontecer muitas maluquices.

  3. Paula Juliana – Overdose Literária

    9 de Março de 2015

    Ai Juuuuuuuuuuuuu!
    Que história gostosa! Amei o texto, seu tipo de escrita leve e gostoso! Espero continuar a acompanha a história aqui ou outras de suas criações! Beijos

  4. Mônica Quintelas – Drafts da Nica

    9 de Março de 2015

    Oie Ju!
    Adorei a história! E.. ai França… é mto amor! Espero um dia poder conhecer, pessoalmente! Vou acompanhar o desenrolar da sua história!
    Beijos
    Nica

  5. Celly Nascimento

    10 de Março de 2015

    Oie, Ju!
    Historia bem legal, a primeira impressão que ficou foi bem positiva. Você pretende publicar? Não se daria mal, olha.
    Com carinho,
    Celly.

    Me Livrando ❤

    • Juliana Piquerotti

      11 de Março de 2015

      Olá!
      Obrigada pelo elogio :3
      Pretendo publicar sim. Assim que eu terminar (ou faltar apenas dois capítulos para postar porque eu sou má) eu pretendo ir atrás de uma editora <3

  6. Brubs.

    10 de Março de 2015

    O prologo já foi uma amor, esse primeiro capitulo então, aaaaah me ganhou de vez :DD
    Vc escreve muito bem.
    http://contodeumlivro.blogspot.com.br/

  7. Kamila Raupp

    11 de Março de 2015

    Oii Juliana!

    Nossa! Você escreve muito bem!
    Adorei ^^ Estou louca para a continuação!

    Beijos, Kamila
    http://www.vicio-de-leitura.com

  8. Mayara Milesi

    12 de Março de 2015

    Ahhhh que lindaaaaaaaaaaaa
    Ju vc realmente escreveu *.*
    Ameiiii esse primeiro capitulo…
    Quando sai o resto?

    beijos
    http://livrosetalgroup.blogspot.com.br

  9. Camila Tebet

    14 de Março de 2015

    Oi, Juliana! Gostei bastante do primeiro capítulo e quero logo saber o que era aquela mensagem hahaha Ah, também fiquei com um pouco de inveja desse redator chefe rs Poxa, tá ganhando bem, hein? rs Não tão precisando de mais uma jornalista por lá? haha Beijos e parabéns!

  10. Mari Araujo

    15 de Março de 2015

    Oi Ju,
    Ahhh como você escreve bem hein, uma história tão gostosinha pra ser lida, já no primeiro capítulo somos pego ou melhor fisgados pelas palavras.. quero logo conferi a continuação.
    Beijos

    Mari – Stories And Advice

  11. Carlos Henrique

    18 de Março de 2015

    Olá tudo bem ?
    Achei a sua escrita bem leve e divertida, de uma maneira bem sutil você está começando uma história bem legal. Continue assim.
    Abraços, Carlos.

    http://blogchuvadeletras.blogspot.com.br/

  12. andreza moura

    18 de Março de 2015

    Que bacana. Leve, e agradável. Quero ver a continuação.
    Parabéns! Sua escrita é bastante graciosa. Eu preferia locações nacionais, mas…

    Café com Letras

  13. Suelen Fernandes

    1 de Abril de 2015

    Olá!
    Adorei esse primeiro capítulo.
    Já deu pra ver que a história flui muito bem. quero ler os outros capítulos.
    Beijinhos!
    http://eraumavezolivro.blogspot.com.br/