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5 de abril de 2015
Assim que desliguei o telefone, liguei
meu computador e esperei a internet conectar. Procurei no site decolar.com – o
site que eu sempre comprei passagens aéreas – passagens para Curitiba. Achei um
voo direto da azul que saía às 21:30 e eu chegava aproximadamente às 23:00.
Mandei um SMS para Caroline.
Posso
sair na sexta para passar o fim de semana? Devo chegar 23:00.
Pode
ser. Eu te busco no aeroporto 😀
Sorri com a resposta e comprei a
passagem com o cartão de crédito. Meus planos para o fim de semana já estavam
totalmente prontos.
Cheguei em casa destroçada após o
Outback e apenas deitei em minha cama e apaguei. No outro dia, acordei com o
barulho das obras do vizinho. Puta merda, eu merecia. Até pensei em levantar e
ir ao trabalho mas… Estava desempregada. E sem namorado.
Foi aí que eu me lembrei do ocorrido de
ontem.
Eu joguei vinho na roupa de Eustáquio e
a outra mulher continuou com ele por medo de não achar ninguém melhor.
Mandei uma mensagem para Fernanda,
pedindo para que ela aparecesse aqui depois do expediente. Caminhei lentamente
até a minha cozinha totalmente branca – que eu odiava, diga-se de passagem – e
fui até a geladeira, pegar o meu sorvete de flocos que ficou parado o fim de
semana inteiro. Deitei-me na cama e comecei a assistir comédias românticas
aleatórias que estavam passando no Tele Cine.
Eu achei que eu e Eustáquio íamos acabar
com filhos em alguma cidade do interior do estado, mas ele preferiu me trair.
Senti lágrimas escorrendo em meu rosto e abafei o choro com um travesseiro e,
sem ver, acabei caindo no sono.
Acordei com três batidas na porta.
Fernanda.
Andei desanimada e tentando não chorar
até a porta, mas assim que abri a porta e vi Fernanda, comecei a chorar mais
ainda.
– Vem cá. – Ela me abraçou e me levou
até o quarto.
O que eu fiz quando cheguei até o quarto?
Sim, abracei o travesseiro e voltei a chorar. Eu odeio quando eu fico com um
tempo de crise, eu me sinto uma pessoa totalmente inútil, meus olhos doem de
tanto chorar, eu me sinto mais gorda, porque não faço nada além de ficar na
cama e consigo citar todas as frases de filmes e livros do Nicholas Sparks.
– Lorena… – Fernanda falou – O que
foi? Está assim porque você saiu do emprego?
– Não. – Falei e limpei algumas lágrimas
que fugiam – Eu achei que eu e Eustáquio éramos um casal de comercial de
margarina.
– Só você para acreditar em uma coisa
dessas. – Ela falou – Essas coisas não existem. Ninguém acorda com o cabelo bom
na vida real, só em filmes, séries e comerciais. Mas o que aconteceu?
– Ele tinha uma noiva. – Falei – E eu
descobri isso no dia do nosso aniversário de namoro.
– Você namorava um babaca. Ele me cantou
quando estava ficando com você. Beleza que não era nada sério ainda, mas quando
você planeja namorar alguém, não paquera a melhor amiga.
Coloquei a minha cabeça no travesseiro
para abafar o choro. Olhei para a televisão e vi que começou “Diário de Uma
Paixão” e sentei para ver o filme
– Por favor, Lorena. – Ela falou,
pegando o controle da televisão, desligando-a – Ficar vendo esses filmes vai
ser pior ainda.
– Eu vi em um blog que ajuda. – Chorei
mais ainda – Por que eu?
– Porque você é uma pessoa que se
apaixona fácil e acredita no amor. – Ela respondeu – Achei que você tinha
aprendido que não é possível ter um namorado quando você o encontra em uma
balada.
– Você me apresentou ele! – Falei – A
culpa é sua! Agora você me deve minha alegria de volta!
– Voltou ao normal. – Olhei para o lado
e vi uma foto minha mais nova.
Ah, a infância. Eu devia ter uns quatro
ou cinco anos naquela foto e eu estava segurando o meu Pikachu de pelúcia.
Quando você é uma criança, acredita que vai encontrar um príncipe encantado e
vocês vão se apaixonar enquanto cantam uma canção. Mas você cresce e percebe
que não tem talento para cantar e poucos homens vão querer cantar com você. Aí
vem a fase da ilusão dos filmes adolescentes, ainda mais se você vira uma
garota baixinha, com gordurinhas a mais, aparelhos e óculos. Hollywood te
ilude, falando que o cara mais lindo vai se apaixonar por você, o que é a maior
mentira do mundo. Então começa a fase dos 20 e poucos anos, que você não tem
namorado e está solteira enquanto todas as suas amigas estão namorando, noivas,
grávidas ou o caralho a quatro.
Uma lágrima fugiu dos meus olhos
novamente. Eu já estava cansada de chorar, não queria mais brincar de mocinha
indefesa, queria brincar de “eu sou capaz de superar tudo o que vier pela
frente”. Mas até essa fase chegar, eu sei que irei mofar em minha cama comendo
chocolate, vendo filme de drama e outras coisas que uma adolescente faz ao ver
que o cara da noite passada não ligou.
– Sabe o que eu acho que você devia
fazer? – Fernanda começou a falar – Mudar o seu visual e, sei lá… Passar um
tempo longe de Belo Horizonte.
Coloquei a mão em meu cabelo, que estava
preso por conta do coque que eu havia feito mais cedo. Mudar o visual? Não sou
uma dessas pessoas que muda tudo porque um filho da puta a traía. Mas a
proposta era tentadora…
– Por quê?
– Você está mal e vai piorar.
– Não vou, eu vou melhorar assim que
ele… – Cacete, como que eu faço para parar de chorar? – Esquece, vou ficar
sozinha e adotar gatos.
– Você vai ficar aí se lamentando porque
ele te largou até quando? – Fernanda falou – Até o príncipe encantado da Branca
de Neve, que parece o Michael Jackson, aparecer e te buscar em um cavalo
branco?
– Eu não quero um príncipe em um cavalo
branco! – Falei, levantando a cabeça do travesseiro e olhando para ela – Eu me
contento com Ryan Gosling ou Johnny Depp em um SUV.
– Lorena, por favor, pare com essa sua crise!
– Fernanda começou a ficar com raiva – Assim não tem como querer fazer nada com
você!
– Você pode me levar para Paris. – Ri
naquele momento.
Quando eu comentei sobre Paris com
Fernanda, eu fui totalmente irônica. Nunca esperaria nada do que iria
acontecer. Na verdade, eu estava esperando um tapa na cara seguido de um “cria
juízo” ou coisa do tipo, mas nada disso aconteceu.
O que aconteceu foi uma viagem a Paris. Claro
que eu ajudei Fernanda, uma vez que ela não iria conseguir me bancar e bancar a
si mesma e… Eu não gosto de depender de outras pessoas. Aprendi isso com a
minha mãe.
No dia seguinte, resolvi seguir o
conselho de Fernanda. Fui até o salão de beleza e pedi para fazer uma mudança
radical em meus cabelos. Eles estavam indo até a cintura e loiros, formando
cachos nas pontas. Fechei os olhos e cochilei um pouco no salão e acordei com a
mulher fazendo escova no meu cabelo novo. Eu estava com o cabelo batendo até o
ombro, o famoso corte Chanel. E meus cabelos estavam pretos.
Eu estava parecendo um clone da minha
mãe, fato que foi confirmado quando Fernanda me visitou aquela tarde.
– Você está a cara da sua mãe com o
cabelo assim. – Ela falou – Mas combinou com você.
– Obrigada.
– Outra coisa que combina com você é…
– Ela mexeu em sua bolsa – Uma ida até Paris comigo, ficando duas semanas na
cidade luz!

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Juki

Graduanda em letras e canceriana de 22 anos na identidade, mesmo com cara de 17. Apaixonada por games, música e literatura, viciada em animes e mangás e louca por chocolate.

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  1. Francine Porfirio

    7 de abril de 2015

    Oi, flor!
    Gostei da sue história. Pena que não a acompanhei desde o começo… Quando você citou minha cidade (Curitiba) fiquei vidrada esperando que a personagem chegar até lá (rs). Mas Paris, com certeza, é melhor! Esse lance de se apaixonar por um cara que conheceu na balada dificilmente dá certo.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

  2. Ju Souza

    7 de abril de 2015

    Oie… Tudo certinho?!
    Ahhh já amei a sua história, mas não li o inicio então nem me aprofundei na leitura, vou esperar por mais caps para ler completinha, sou meio ansiosa e odeio esperar… kkkkk
    Mas ja vou colocar aqui em minhas anotações para não esquecer. Parabéns e estou esperando por mais.
    Bjus
    Juh – Surtos da Juleka

  3. David Andrade

    7 de abril de 2015

    Oi Ju!
    Ahh, já vai no quatro. Acho que eu li o dois ou um, não me recordo bem, mas já tinha achado super fofo lá. Acho que comentei que achei bem legal sua protagonista, típica garota adolescente, bem construida. Aparentemente ela está excelentemente adequada a trama 🙂 Parabens. E o cenário, original *-* Quem não quer conhecer Paris? *-*

    Abraços
    David Andrade
    http://www.olimpicoliterario.com/

  4. Vitória Zavattieri

    7 de abril de 2015

    Eu amei demais sua história!! Quero ler inteiras!!!
    http://corujasdebiblioteca.wordpress.com

  5. Suelen Fernandes

    17 de abril de 2015

    Olá amore!
    Eu só tinha lido o 1ª capítulo e já pulei por 4ª e perdi algumas coisas da história, mas mesmo assim deu pra perceber que a história está muito legal e vou voltar pra ler todos os capítulos e ver como a história está se desenrolando.
    Beijinhos!
    http://eraumavezolivro.blogspot.com.br/