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Fala Juliana
23 de junho de 2017

Quando eu lia sobre a crise dos 20 e poucos, achava muita besteira. Afinal, quem, na melhor fase de suas vidas, entraria em crise? Pois é, acho que o jogo virou.

Por muito tempo, um pouco depois de ter depressão e ansiedade controladas, comecei a perceber que o meu humor mudou. Não tenho mais aquela grande paciência que eu costumava ter. Não consigo focar em muitas coisas ao mesmo tempo como antes. Não aguento que me controlem, fico com vontade de chorar. Tenho uma grande incerteza do que eu estou fazendo nos meios profissionais, pessoais, financeiros… Enfim, tenho dúvidas.

Fico presa a muitas coisas que já passaram faz anos. A vontade de ficar na cama só aumenta.

Fico incerta se serei efetivada no meu estágio ou não pois, acima de tudo, preciso de dinheiro. Estou comendo compulsivamente – e o pior: me culpando por isto. Não tenho ânimo para sair aos fins de semana. Afinal, saí a semana inteira, para quê sair aos fins de semana também? Não me recordo da última vez que fui ao cinema me divertir. Também não me recordo da última vez que comi algum doce sem ficar matutando as calorias em minha mente.

E os relacionamentos então? Confesso que nunca tive um relacionamento sério sei lá porque, mas ver pessoas que estudaram comigo há uns nove/dez anos se casando e tendo filhos é extremamente assustador. Será que eu parei no tempo? Ou será que estou destinada a viver para sempre sozinha (sozinha não, pois vou ter uma casa cheia de cachorros)?

Outra coisa que me intriga ou me deixa mais para baixo são os amigos que moram sozinhos. COMO ELES CONSEGUEM SE VIRAR? CARA, EU NEM SEI QUE DIA É HOJE SEM OLHAR NO CELULAR! E eu consigo queimar água de miojo, como vou fazer comida para mim?

Aí pense comigo: todos estes problemas rodeando na minha cabeça e eu ainda tenho que apresentar o TCC amanhã (estou escrevendo este texto dia 18/06/2017). A crise dos 20 e poucos podia esperar mais um tiquinho, não?

Mas ela vem sem avisar. Vem como um tornado e nos espanca. E nós aguentamos, afinal, somos fortes.

Confesso que a única coisa que me conforta é saber que mais pessoas estão passando por isto e que é algo mais comum que gripe no frio. Mas vai por mim: não é algo legal. Só quero que esta crise passe.

Ah e crise dos 20 e poucos: obrigada por me dar inspiração para este post 😉 Indiretamente você ajudou.

Juki

Graduanda em letras e canceriana de 21 anos na identidade, mesmo com cara de 17. Apaixonada por games, música e literatura, viciada em animes e mangás e louca por chocolate.
Fala Juliana
8 de maio de 2017

Fala galera, tudo certo com vocês? Estou aqui com mais um Fala Juliana, aquela postagem sem periodicidade que eu falo de assuntos aleatórios que marcaram minha vida de alguma forma. Hoje eu fiquei pensando se postaria ou não sobre isto, mas decidi abrir o word e escrever. O motivo é uma série e um livro que me chocaram muito em momentos diferentes e bem cruciais de minha vida: 13 Reasons Why. Já deixo avisando que vai ter spoiler sim, até porque não tem como eu falar sobre algo que mexeu comigo sem falar do que me fez refletir.

Já aviso que, se você precisa de ajuda, está passando por momentos complicados em sua vida, recomendo que não veja a série, leia o livro ou até mesmo leia o post. Procure ajuda de amigos, profissionais e parentes, pois você vale a pena. Estou torcendo para sua melhora e quero ver você sorrindo. E, como eu disse no meu post sobre depressão, quero te ver bem amanhã, mês que vem, ano que vem e ao infinito e além.

Li o livro em 2013 ou 2014 não me lembro ao certo. Quando eu li, eu estava no primeiro ano da faculdade e trabalhando de 8h até as 18h. Minha rotina consistia em acordar 6h da manhã para pegar metrô e ir para o serviço e, logo após, ir para a faculdade e só chegar em casa 23h. Eu ficava o dia inteiro fora de casa. Passava por muitos momentos estressantes no trabalho, afinal era o meu primeiro emprego e eu tinha 17 anos. Lembro de chegar atrasada em algumas aulas pois estava chorando no banheiro por conta do estresse. Até que percebi que o estresse não valia a pena. Depois eu mudei de emprego, mas isto não vem ao caso. Deixa eu voltar para o livro agora que eu contextualizei o que estava acontecendo.
Com 17 para 18 anos eu via doenças mentais como frescuras. Para mim, era tudo frescura. Depressão é uma desculpa para a pessoa não sair da cama, ansiedade é querer fazer algo antes do tempo, e por aí vai. Comecei a julgar duas colegas minhas da faculdade, uma que tinha depressão e outra apresentava transtorno bipolar. Porém, quando eu li o livro, vi que não é frescura. Vi que são pessoas muito fortes por seguirem a vida com estas doenças que são incontroláveis. E percebi que, assim como eu tinha muito estresse e precisava de ajuda, elas também precisavam de ajuda. Comecei a ficar mais próxima delas, fazíamos trabalhos juntas e tudo mais.

Porém, às vezes a vida é a vida. Acabamos nos afastando, andei com outro pessoal, elas andaram com outras pessoas e acabamos perdendo o contato. As conversas de horas e horas no WhatsApp se transformaram em cumprimentos na sala de aula. E eu me arrependo disso. Sabia que elas podiam contar comigo, mas elas não sabiam. Não falei isso com elas.

Então veio a série. Vi ela no fim de semana de lançamento e me chocou em muitos pontos. Fiquei pensando muito no efeito borboleta e que todas nossas ações tem um impacto em nossas vidas. E, depois de muito refletir, de ver a opinião de uma das minhas colegas, mandei uma mensagem para ela, caso queira desabafar, gritar, chorar, conversar, etc. Não posso mandar para a outra, mas sei que ela está lendo este texto. Na verdade, até posso, mas não terei uma resposta. Ela está morta.
Na semana anterior, havia comentado com um colega que queria voltar a conversar com ela. Por que eu não conversei? Estava com medo da reação dela. Estava levemente envergonhada. Eu praticamente a abandonei e do nada resolvo voltar a conversar com ela? O medo me impediu disso. O que aconteceria se eu tivesse conversado com ela? E seu eu estivesse sempre ao lado dela, dando apoio e sendo uma amiga de verdade?
A causa da morte da minha amiga foi parada cardíaca. Bom, isto foi o que me disseram. Mas este colega meu, que era totalmente apaixonado por ela (e ainda é) me contava sobre o que conversava com ela, o que ele via acontecer na vida dela. E, por estes motivos eu não acredito que foi parada cardíaca. Nada me tira da cabeça que foi suicídio.
Não tive coragem de ir ao enterro e nem ao velório. Queria me lembrar dela feliz. Dela me zoando por causa da minha altura. De conversar sobre os problemas da vida com ela. De matar aula para comer sanduíche na esquina. Tempos que não vão se repetir, infelizmente.

Eu aprendia muito com ela. Sejam coisas da faculdade ou da vida. E uma das coisas mais importantes ela teve que morrer para que eu aprendesse: se você tem vontade de conversar com alguém, de tentar ajudar alguém, não deixe para depois.

Sei que você nunca gostou de ser chamada de amiga, pois acreditava que soava falso. Então colega, obrigada pelas lembranças, pelos ensinamentos e pelas memórias. Desculpe por não manter contato e por tudo o que eu não fiz.
“Ah, mas o que isso tudo tem a ver com 13 Reasons Why?”
Os adultos da série viram Hanna mudando e ignoraram, estavam muito preocupados com outros assuntos. Hanna pediu ajuda ao conselheiro da escola e ele não fez nada para ajudar. Eu via esta colega pedindo ajuda para meu colega (o único que aparece no texto) e eu a ignorava e a julgava.
Então se você perdeu o contato com alguém que foi importante em sua vida e que te ajudou em muitos momentos, pegue o seu celular ou seu computador agora e mande uma mensagem. Não julgue ou ignore o que a pessoa fala, posta, tweeta, compartilha, etc. Quando for tarde demais você vai se arrepender.
Enquanto escrevo este texto, mandei mensagem para muitas amigas minhas que me ajudaram de certa forma. Nunca é tarde demais para ajudar e recuperar os laços de amizade. Espero que vocês façam o mesmo.

Reforço que se você precisa de ajuda, está passando por momentos complicados em sua vida, recomendo que não veja a série ou leia o livro. Procure ajuda de amigos, profissionais e parentes, pois você vale a pena. Estou torcendo para sua melhora e quero ver você sorrindo. E, como eu disse no meu post sobre depressão, quero te ver bem amanhã, mês que vem, ano que vem e ao infinito e além.

Juki

Graduanda em letras e canceriana de 21 anos na identidade, mesmo com cara de 17. Apaixonada por games, música e literatura, viciada em animes e mangás e louca por chocolate.
Fala Juliana
3 de fevereiro de 2017

Fala galera, tudo certo com vocês?

Cheguei com mais uma postagem marota para alegrar o dia de vocês e para a postagem de hoje eu fiquei matutando o que fazer e vi, em um grupo de blogueiras que participo, a Blogagem Coletiva do mês de fevereiro e o tema é volta às aulas.  Outro ponto: o que falar sobre a volta às aulas? Pensei, pensei, pensei e decidi que vou fazer sobre o meu primeiro dia de aula no Ensino Médio.

Eu mudei de escola no Ensino Médio, não conhecia absolutamente ninguém e sou muito tímida para fazer amigos. Fiquei quieta no meu canto e esperei as pessoas se aproximaram e isso realmente aconteceu. Conheci pessoas incríveis, mas eu só mantive contato com uma.

Eu tinha quatorze para quinze anos. Imagina a mente da pessoa, cheia de expectativas, querendo achar um namoradinho e na esperança de que a vida é um High School Musical. Sim, a pessoa se ferrou bonito logo na primeira prova hahaha mas faz parte da vida.
Dizem que o Ensino Médio é a melhor época da vida e eu discordo. Não foi a melhor parte da minha vida por conta da idade a qual eu encarei muita coisa. Quando eu estava no segundo ano recebi o diagnóstico da Esclerose Múltipla e não sabia qual profissão eu iria seguir. Imagina: você descobre que tem uma doença que nunca ouviu falar e, além da sua saúde, está preocupada com qual profissão seguir?

Hoje, alguns bons anos depois (sou de humanas), percebo que essa etapa e Ensino Médio é, na verdade, um começo. Quando você está no Ensino Fundamental ainda tem que seguir todas as regras, fazer todas as lições, estudar para todas as provas e no Médio você relembra tudo o que aprendeu de uma forma mais profunda e começa a perceber que uma matéria que você nunca imaginou pode te abrir muitas portas – até mesmo para o seu vestibular.
Meu conselho então é: seja você mesmo. Sei que na adolescência procuramos sempre ser aceitos, agradar todo mundo, mas nem Jesus agradou todos. Então, seja você mesmo e deixe os outros falarem. O mundo dá voltas, hoje eles te zoam e amanhã podem ter vergonha de olhar na sua cara. Já passei por isso com um cara que vivia implicando comigo e a sensação é incrível.
Boas aulas para todos e todas vocês e muito sucesso nesse ano de 2017! Ao infinito e além, cambada 😀

Juki

Graduanda em letras e canceriana de 21 anos na identidade, mesmo com cara de 17. Apaixonada por games, música e literatura, viciada em animes e mangás e louca por chocolate.